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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
ONGs na mídia
Veja (aqui) a interessante matéria no blog da Gloria Kalil. A matéria fala sobre as ONGs selecionadas pelo Fashion Business para fazerem parte do movimento por uma econômia de moda solidária. Vale a pena conferir!
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Criatividade
é imensamente mais rentável e divertido
do que muito dinheiro sem criatividade."
Arnold Bennett
É estranho que tenhamos que importar uma frase tão simples de um escritor. Ainda mais de um escritor inglês pouco conhecido no mercado tupiniquim, e que é famoso por ter admitido francamente que toda a sua produção artística também tinha uma importante finalidade monetária. Escrever, para Bennett, era mais do que arte, era sua maneira de ganhar dinheiro.
Mas, talvez, pensando melhor, um conselho desse tipo só poderia vir de uma pessoa assim. Afinal, apenas alguém que entende que dinheiro é importante está conectado o suficiente com a realidade para dar um conselho valioso. E o conselho, no caso, não é que dinheiro não é importante. Mas que podemos contornar a importância do dinheiro com criatividade.
Em tempos de crise econômica como os que se aproximam, esse conselho se torna ainda mais importante. Afinal, onde existe recessão, deve existir queda do investimento privado em causas do terceiro setor.
Não se deve ignorar um cenário como esse, mas nervosismos excessivos também não resolvem nada. O que precisamos ter em mente é que são nos períodos de crise que a capacidade criativa se torna ainda mais importante e mais ativa.
E criatividade, em arrecadação de recursos, não é apenas pensar em novas estratégias para se conseguir mais dinheiro – é, sobretudo, aprender a fazer mais com o que temos. Mais do que isso, é aprender que recursos não se limitam aos incentivos financeiros – que recurso é qualquer coisa que ajude no desenvolvimento do projeto/causa. E, para descobrir, em cada projeto, o que é um recurso importante, é preciso de muita criatividade: essa criatividade que permite produzir mais com papelão do que com papel-moeda. A criatividade que se mostra mais rentável do que dinheiro; a criatividade de Bennett.
Jogo de Tênis
Arrecadar recursos junto a corporações requer uma estratégia complexa – um plano detalhado que busca demonstrar à companhia que ela deve investir em nossa causa. No fim desse plano, entretanto, existe uma aspecto mais delicado, que está mais próximo da arte do que da técnica. Especialmente se considerarmos, como deveríamos, que o diálogo é uma forma artística.
Mas o diálogo dessa negociação não é o mesmo daquele de uma roda de amigos – e nem deveria ser. É um diálogo com diversas especificidades, mas especialmente, é um diálogo voltado a um objetivo. Ou seja, o objetivo dessa conversa é aproximar a empresa da causa apresentada. Idealmente, essa aproximação deve culminar em um apoio concreto – seja divulgação, verba ou similar, é importante que a empresa termine a conversa com algum compromisso à causa.
O que muitas vezes escuto, é que realizar essa última com conversa é uma das maiores dificuldades das ONGs (e, muitas vezes, das consultorias). Por um lado, muitos “arrecadadores” (profissionais ou não) ficam excessivamente tímidos; ao ponto de, muitas vezes, sequer deixar claro qual a contrapartida que esperam da empresa. Para esses casos, eu gosto de lembrar que as empresas e seus representantes não são ingênuos: eles sempre sabem que a reunião tem por finalidade o pedido de formação de parceria da ONG. Se a apresentação foi bem feita, as possibilidades com que essa parceria pode se ajustar já foram introduzidas anteriormente (mesmo que apenas en passant). É preciso apenas, nesse momento final, deixar a proposta evidente. Ou seja, seja direto, pergunte: “Eu havia pensado, para vocês, no Plano (de apoio) A, o que o senhor pensa?”
É uma situação análoga a uma partida de tênis. É preciso, para o jogo começar, que o sacador (a ONG) coloque a bola em jogo. E, para a partida/negociação continuar, é preciso esperar que a empresa retorne a bola. O que nos leva ao segundo erro mais comum por parte dos “arrecadadores”: às vezes por falta de experiência, às vezes por nervosismo, acabamos falando de mais. Damos justificativas excessivas, chegamos, até mesmo, a pedir desculpas e avisar que um pouco menos do que pedimos já estaria de bom tamanho.
A verdade é que essas precipitações podem mostrar insegurança com o valor do projeto apresentado. É preciso, portanto, sangue frio. É preciso, depois do saque, esperar a bola retornar para a nossa quadra – devemos nos posicionar, esperar a bola chegar para darmos nossas raquetadas. Isto é, depois de fazer o pedido de apoio, o melhor a fazer é esperar a resposta do outro lado. Esperar pelo sim ou pelo não, e continuar a partida a partir dos dados que a pessoa do outro lado da mesa nos deu. Entre o não que imaginamos e o não real da empresa, sempre poderemos manobrar melhor o não que recebemos. Afinal, a partir deste não (que poderia ter sido sim, é bom lembrar) poderemos continuar, basta perguntar “por que”? Basta seguir com outras propostas que possam se contrapor ao não inicial.
No final das contas, trata-se de um jogo – e os melhores jogadores são aqueles que se mantêm tranqüilos durante todos os momentos da partida.
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